“A personalidade humana é como uma onda do mar e o tempo é como a praia. Cada onda tem uma silhueta, assim como cada personalidade tem as suas características, umas discretas, outras efusivas, mas todas encenam a sua peça no teatro do tempo e, mais cedo ou mais tarde, voltam tímida e misteriosamente para o mar da existência deixando poucos vestígios”
O Homem mais inteligente da história – Augusto Cury
Filhas, hoje percebi como vocês são duas ondas. Tão lindas, tão parecidas, mas únicas, e tão perfeitas!
Sabem, o Pai é um homem do mar! Vivo e amo o mar, todos os dias! E quando passo muito tempo longe dele, começo a perder brilho e alegria. Preciso do mar para viver. Como preciso do vosso amor!
Em tempos, antes de escrever para vós, muito escrevi sobre o mar, sobre as ondas. Tantas analogias que fiz, mas nenhuma tão perfeita como esta que hoje li. E ao lê-la, dei por mim a pensar, a divagar.
Sabem, uma onda forma-se ainda em alto mar, no seio da nossa existência. Caminha quilómetros, muitos (“tantos” como vocês dizem), até chegar à costa, onde, moldada pelos fundos, ganha forma, ganha vida! Torna-se única! Linda! Perfeita!
Em cada praia, as ondas têm características semelhantes, mas não existem nunca duas ondas iguais. Um verdadeiro surfista (chamo surfistas a todas as pessoas que amam e vivem o mar, tão simplesmente isso) não terá à partida dificuldade, olhando para uma fotografia de uma onda, saber em que praia ela parte. No entanto, contempla-a de forma apaixonada, admirando todas as características que a tornam única!
Também no mundo, em cada região, em cada país, em cada local, os seus habitantes, moldados pela praia, pelos fundos que os acolhem, que lhes dão forma, que os fazem crescer,  terão características semelhantes. Características físicas, culturais, educacionais. E também olhando para uma fotografia de uma pessoa, poderemos tentar adivinhar a região do qual é oriundo. Mas mesmo na mesma praia, não existirão nunca duas pessoas iguais. Cada pessoa é única, e também perfeita.
As ondas caminham sós pelo mar. E quando chegam à praia, quando ganham forma, quando crescem e se tornam belas, quase todas escolhem continuar o seu caminho sozinhas. Mas algumas, poucas, encontram companhia. Algumas descobrem aquele surfista aventureiro, destemido, que se apaixonou por elas, e que lutou e ganhou o direito de poder caminhar a seu lado. Cada onda surfada, é um casal que caminha lado a lado! Em sintonia, criando uma melodia harmoniosa, desenhando linhas perfeitas. E sabem filhas, tal como as ondas, vocês são livres para caminhar sozinhas pela praia (por muito acompanhadas que possam estar), ou podem escolher caminhar acompanhadas. Mas se escolherem caminhar acompanhadas, façam-no com alguém que verdadeiramente vos ame, que consiga contemplar, e admirar a vossa individualidade, o que vos torna únicas.
Mas, tal como as pessoas, no final da sua caminhada, cada onda acaba por desaparecer no mar da existência. Delas, tal como de todos nós, restarão apenas memórias, e uma marca muito pequena, quase imperceptível, deixada na praia. Memórias, deixadas em quem caminhou a seu lado, ou em quem, não conseguindo caminhar a seu lado, se apaixonou por elas e as contemplou na sua caminhada. E marcas ínfimas, quase imperceptíveis, deixadas na praia, no palco da vida e do tempo, esculpindo-o. Essas marcas, por si só, são muito pequenas. Mas quando somadas as marcas de todas as ondas, durante muitos muitos anos, consegue-se perceber a escultura que deixaram nessa praia que as acolheu. Por isso filhas, caminhando sós ou acompanhadas, deixem sempre as melhores memórias, e esculpam a praia da melhor forma que souberem, para a podermos, um dia, deixar mais bonita do que a encontrámos. 
in, Devaneios de Pai 

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